segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Terminal rodoviário

A construção da redoviária em Raul Soares teve início na década de 80 atendendo aos reclamos da população que já há alguns anos vinha sendo atendida precária e desconfortavelmente. Inicialmente, na porta de um hotel, a seguir em um bar e após em um posto construído pela Prefeitura, próximo à antiga estação ferroviária.
Em uma época de muita fartura de dinheiro nos cofres do Estado recursos abundantes foram direcionados para a construção, arrastando-se esta por muitos anos sendo concluída a construção em 1992, com festiva inauguração no mês de dezembro, presentes autoridades estaduais e prefeitos de cidades vizinhas e uma grande massa popular.
Exposta à ação do tempo, as ferragens da estrutura metálica da cobertura estavam bastante comprometidas, o que deu origem, desde a sua inauguração, a muitas goteiras que a cada dia aumentam.
A localização do terminal na Av. Prefeito Wilson Damião foi muito contestada e até hoje tem muitos críticos exaltados. Certa época até um abaixo – assinado chegou ao Poder Executivo pedindo a transferência da rodoviária para outro local. Apesar da boa vontade da administração municipal foi impossível atender, tendo em vista a dificuldade de um outro local e a recusa do Estado em fornecer mais dinheiro para o empreendimento. Uma solução aventada foi a Prefeitura depositar em conta vinculada o valor correspondente à obra já realizada, sendo o dinheiro liberado à medida que a nova construção se realizasse. Esgotados os recursos da conta vinculada o Estado voltaria a direcionar dinheiro para a conclusão da obra. Impossível, também, de ser atendida, por não dispor o município de receitas suficientes à constituição da reserva sugerida. Os críticos à localização do terminal rodoviário entendiam que o mesmo deveria ficar fora da área central da cidade, sendo citados, como exemplo: a área do antigo barracão da estrada de ferro, na Av. Benedito Valadares, que apesar de central apresentava uma configuração considerada ideal (o local na época estava totalmente disponível). Para outros, o local ideal seria na Av. Elza Bacelar, em área ao lado do Colégio Regina Pacis onde estão na atualidade a APAE e o Posto Policial. Opinavam alguns outros, que na região do Morro das Pedras estaria melhor localizado. E, complementada a obra pelo anel rodoviário, não haveria problemas de trânsito de ônibus pela área central da cidade. Um sonho também difícil de concretizar-se.
A realidade é que o terminal rodoviário foi uma grande obra em Raul Soares. Vem prestando inestimável serviço aos raul-soarenses por ele circulando diariamente um número expressivo de pessoas, que, em épocas de maior demanda - carnaval, semana santa, Natal - soma alguns milhares.
Uma outra crítica é quanto o nome do terminal.
Não se nega a importância do trabalho do Pe. Silvério em Raul Soares, na igreja e na sociedade. Graças aos seus esforços foi feita a ampliação do hospital e se tornou realidade a construção do Colégio Regina Pacis. Porém, para o terminal rodoviário o correto deveria ter sido lembrado para a ele dar o nome um dos empresários pioneiros no transporte de passageiros em Raul Soares, como Francisco Sales, Daniel Avelar ou de um dos veteranos motoristas de “carro de aluguel”, como se dizia, sendo citados entre outros os nomes de José Alves Flores, o José Alves Português e Álvaro Cunha (Turinho).
Vida pública e obra pública é desse jeito: Nunca se contenta a todos.

sábado, 29 de dezembro de 2007

PONTILHÃO - TARZA

A placidez e a tranqüilidade de São Sebastião de Entre Rios foi sacudida nos primeiros anos do século XX pela chegada das locomotivas e vagões da estrada de ferro. Era o progresso que batia às portas do mais promissor distrito de Rio Casca.
O pontilhão construído sobre o rio Santana, era o portal de acesso a área central do lugar. Para que fosse possível a implantação do serviço ferroviário houve a colaboração da população. Terrenos foram doados para o assentamento dos trilhos e construções, como a estação ferroviária no centro da localidade, hoje se constituindo patrimônio histórico e cultural de Raul Soares.
A chegada do “trem de ferro” trouxe para a vida social, política e cultural uma categoria profissional importante ao desenvolvimento do lugar: os ferroviários.
O Agente da Estação tinha a responsabilidade de zelar pelo bom andamento dos serviços. A ele cabia a liberação de vagões, muito disputados e requisitados previamente, para embarque da produção local destinada às grandes praças do país.
Em 1950, a expansão da Industrial São Sebastião S/A, levou a indústria para uma área considerada rural, adquirida da família Chaves. O nome dado à rua onde se localiza a Tarza - Francisco Martins Chaves - é uma homenagem ao antigo proprietário do terreno que hoje constitui o progressista e valorizado Bairro Tarza.
Estreitaram-se, então, os contatos entre a São Sebastião e a Leopoldina. Foi construído pela estrada de ferro um desvio para vagões, cedido em comodato, para utilização em cargas e descargas. Ali chegavam barras de aço e outros insumos; e o óleo combustível, que, através de canalização subterrânea, supria os fornos da fábrica, que se transferira das acanhadas instalações da rua Camilo de Moura.
Valendo-se do amistoso relacionamento os dirigentes da Fábrica de Enxadas Tarza - Armando Sodré e Césare Tartaglia - obtiveram da Estrada de Ferro Leopoldina a permissão para a construção de duas passarelas: uma, ao lado dos pontilhões do Bairro Tarza e a outra, ao lado pontilhão da Rua Bom Jesus.
O objetivo dos empresários foi assegurar maior segurança e conforto aos empregados da indústria, e à população em geral, evitando-se-lhes o perigoso trânsito pelos dormentes dos pontilhões em cujas linhas trafegavam locomotivas, vagões e automóveis de linha, alguns deles sem horários previamente fixados. Naquela belle epoque, a maior parte dos empregados da Tarza residiam na Rua Bom Jesus o que os obrigava, para acesso ao trabalho, transitarem nos dois locais.
Um belo dia, em conseqüência da suspensão definitiva do ramal ferroviário, decorrente da abertura de rodovias, os pontilhões tornarem-se ociosos. Meros e tristes amontoados de ferro; inúteis para a comunidade.
Então, o Poder Público Municipal procurou dar uma solução política e administrativa correta para a questão transformando os antigos pontilhões em imponentes e funcionais pontes que integraram definitivamente os Bairro Tarza e Rua Bom Jesus ao centro da cidade de Raul Soares. Foi muito oportuna a providência ante boatos de que a Leopoldina venderia como ferro velho os dois pontilhões e estes seriam retirados pelos compradores.
Mais uma vez, se fez presente um velho axioma:- Na vida nada se perde, tudo se transforma.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Pontilhão - Rua Bom Jesus

O pontilhão sobre o rio Matipó foi construído nos primeiros anos do século passado pelos ingleses da empresa The Leopoldina Railway Company.
Representou um marco de progresso em São Sebastião de Entre Rios, distrito de Rio Casca. Sobre a sua robusta estrutura trafegaram as pesadas locomotivas e vagões da Estrada de Ferro Leopoldina - traço de união entre São Sebastião de Entre Rios / Caratinga.
Erradicado o trecho ferroviário de Ponte Nova a Caratinga, transformou-se em ponte tornando-se a via preferencial de acesso da Rua Bom Jesus e adjacências ao centro da cidade.
As locomotivas e os vagões que por ali passavam cederam o espaço para os veículos automotores e as bicicletas. Ganhou duas irmãs (passarelas) nas laterais; que asseguram maior segurança aos pedestres que por ali passam: alguns, na busca do trabalho; outros, nas saudáveis caminhadas diárias e as crianças, irreverentes e alegres, para as escolas.
Brevemente, contará um centenário de existência, sob os olhares nostálgicos dos velhos moradores e a indiferença da maioria dos seus usuários, assoberbados pelos problemas existenciais.
Durante a sua vida muita coisa se passou neste mundo de Deus: o governo atribulado de Artur Bernardes; a revolução de 30; o Estado Novo; a construção de um prédio na rua Bom Jesus, para um hospital, posteriormente destinado ao saudoso Ginásio São Sebastião, sede atual da usina da cooperativa de leite; a Segunda Grande Guerra Mundial que enlutou muitos lares e trouxe tanto sofrimento em todo o mundo, E, um fato importante: o distrito de São Sebastião de Entre Rios emancipou-se. Virou cidade. E por força da Lei Estadual n.º 862, a partir de 19 de setembro de 1924, passou a se chamar Raul Soares, uma homenagem das mais justas a um dos grandes homens públicos de Minas, falecido, quando no exercício do governo do Estado de Minas, o que o impediu de cumprir integralmente o mandato de Presidente do Estado, para o qual fora eleito pelos mineiros.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Praças e jardins

Você que mora em Raul Soares mui provavelmente ainda não tenha observado com maiores cuidados as praças e jardins do centro da cidade.
Não quero, como sugere Gonçalves da Costa, em um belo momento de sua criação literária, ao fazer a apologia de um passeio com olhos vendados, convidá-los a caminhar de olhos cobertos pelo local. O resultado poderia ser desastroso ante a irregularidade do piso em muitos locais, como no jardim da Praça Dr. Durval Grossi, que há muito tempo está merecendo uma boa reforma. O verde que ali existe até que está bem cuidado e Henrique, o jardineiro, se esmera na limpeza. O coreto, tradicional na praça, também deveria ser objeto de maior atenção. A praça é a sala de visitas de Raul Soares. É uma obra da década de 40, quando prefeito de Raul Soares aquele que lhe dá o nome.
O jardim da Praça Pe. José Domingues é da década de 50, construído na administração do Dr. Luiz Domingos da Silva, político raul-soarense de muito prestígio, com passagem pela Assembléia Legislativa como deputado constituinte, e pelo Tribunal de Contas do Estado, como conselheiro. Naquela praça se localizava a antiga igreja matriz de Raul Soares. Foi construída, quase que simultaneamente à igreja matriz, empenhando-se na sua edificação o operoso Pe. José Domingues.
A fonte luminosa e bustos nela existentes são obras do Prefeito Sotero, na década de setenta.
Os jardins das praças Ade Grossi - Cultura e Vivi Menezes são da década de 90, iniciados pelo Prefeito Wiron e concluídos pelo Prefeito Constantino. Ouso dizer: poucas são as cidades interioranas do porte de Raul Sares com tanto verde na sua área central.
Nos jardins das praças Ade Grossi, da Cultura e parte da Dr. Durval Grossi a administração municipal inovou. Nos bancos dos jardins foram inseridas mensagens de escritores conceituados cujos nomes são citados. Lamentavelmente, uma delas, de autoria do poeta Gonçalves da Costa, foi vítima de vândalos, estando quase que ilegível. Certamente será restaurada como homenagem à memória do poeta e à denominação do local: Praça da Cultura. Diz o poeta:- AS AREIAS DESTA RUA GUARDAM CANTIGAS DE SOL. Visionários, como costumam ser os poetas, não parece até que Gonçalves da Costa anteviu a existência em Raul Soares de uma praça ensolarada - como a Praça da Cultura - como refúgio a um grande momento de sua inspiração poética?

As ruas de Matipóo

A nomenclatura das ruas de Matipóo ocupou a atenção dos responsáveis pela criação, organização e administração do município instalado em 20 de janeiro de 1924.
Com muita presteza a Lei n.º 4, de 18 de fevereiro de 1924, cuidou do assunto.
O espírito mudancista prevaleceu. Foram alterados os nomes de praticamente todas as ruas do ex-distrito de São Sebastião de Entre Rios.
De lá para cá - por questões políticas, administrativas ou caprichos pessoais- muitas outras alterações ocorreram.
Uma adesão explícita ao princípio de Antífanes, poeta cômico grego do sec. IV a . J. C.: empreende algo novo. Uma só coisa nova, ainda que seja temerária, vale mais que uma infinidade de coisas velhas.
A questão da nomenclatura das ruas, aparentemente de somenos importância, deveria merecer de nossos legisladores uma maior atenção.
Houve um tempo - Era Vargas – que todos os municípios mineiros foram quase que compelidos a ter avenida, rua, praça, jardim, prédios ou estabelecimentos públicos batizados com os nomes do Presidente Getúlio Vargas e do Governador Benedito Valadares. Explicito culto às personalidades governamentais.
A Lei Complementar n.º 3, de 29 de dezembro de 1972, matriz das leis orgânicas municipais vigentes procurou dar cobro a esta situação dispondo no artigo 22: “Os logradouros e estabelecimentos públicos municipais não poderão ser designados com nomes de pessoas vivas, nem terão mais de três palavras, excetuadas as partículas gramaticais”.
Os costumes da sociedade moderna trouxeram-nos fatos inaceitáveis na belle epoque.
Em Raul Soares, por exemplo, um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal, designou ruas por apelidos.
Aos inconformados com este insólito acontecimento, e certamente não serão poucos, só resta seguir os conselhos de Erasmo de Rotterdam, na clássica obra Elogio da Loucura: “Agir de modo contrário seria pretender que a comédia deixasse de ser comédia. Além do mais, se a natureza vos fez homens, a real prudência exige que não vos alteeis além da condição humana.” Cícero também afirmou, no mesmo sentido, aos inconformados com os novos costumes em Roma: ”Se vives em Roma, vive de acordo com os costumes romanos”.
Após o prólogo que já se faz longo, mas necessário, permita-nos os leitores a transcrição, ipsis – literis, da lei sancionada pelo Sr. Carlos Gomes Brandão, Presidente da Câmara Municipal de Matipóo, com a primeira alteração de nomes de ruas do novo município..

-

Secretaria aos 18 de Fevereiro de 1924. O Official da Secretaria Intº Eugenio de Cerqueira Limas.

LEI Nº 4

Lei n.º 4 de 18 de Fevereiro de 1924 - Dá nova denominação as ruas desta Villa e contém outras disposições.

O povo do Município de Matipóo, por seus Vereadores decretou e eu, em seu nome sanciono, publico e mando executar a seguinte lei:
Art. 1º - Ficam mudados os nomes das ruas seguintes: A rua Manoel Ignacio passará a denominar-se Rua 20 de Janeiro. A rua da Estação denominar-se-á Rua Cantídio Drumond. A rua Sant’Ana passará a ser Rua Lindolpho Campos. A rua dos Pintos passará a ser Rua Mello Vianna. A rua da distribuidora, passará a ser rua Francisca Roza. A travessa da rua Benjamim do Carmo com a rua Boachà terá o nome Travessa de S. Paulo. A segunda travessa nas mesmas ruas terá o nome Travessa da Alegria. A rua nova da caixa d’água terá o nome Rua Vista Alegre. Continuam a ter os nomes antigos as ruas: Bom Jesus - Boachá e Padre Chiquinho. O largo da Matriz passará a ser Rua 7 de Setembro.
Art. 2º - O Art. 14 da Lei n.º 2 de 18 de fevereiro de 1924 será assim redigida: Fica o Presidente da Câmara auctorisado a offerecer ao Governo Federal uma sala ou uma pequena casa para a instalação do Telegrapho Nacional.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário. Mando, por tanto, que a presente lei seja cumprida e executada como nela se contém. Dado no Palácio da Câmara Municipal de Matipóo aos 18 dias de Fevereiro de 1924. Publicada, registre-se. O Presidente da Câmara Municipal Carlos Gomes Brandão.

A imprensa em Raul Soares

Falar-se sobre a importância da imprensa na vida de um povo é algo como chover no molhado.
A imprensa é sinônimo de liberdade, de independência, de altivez, de informação.
No distrito de São Sebastião de Entre Rios circulou em 1917 o jornal “A Sentinela”, de propriedade e direção de Vinícius Lopes e Daniel Avellar. Ridendo castigat mores, era a mensagem símbolo, logo abaixo do título do jornal.
Em 1918, foi a vez do jornal “O Entre Rios” cujos redatores eram Theo do Valle e Daniel Avellar.
A Lei n.º 15, de 29 de novembro de 1924, continha autorização ao Presidente da Câmara Municipal para pagamento da quantia de R$ 494$000 ao “Correio da Matta” de Ponte Nova, referente a papel e material fornecido para o jornal “Villa Matipóo” e de R$ 915$000 ao Sr. Alcides Natal, de serviços prestados e material fornecido para o mesmo jornal.
Na década de 30, um período dos mais difíceis e conturbados na vida brasileira o Sr. Nicolau Simas editou na Gráfica Americana o jornal “Raul Soares”. O eminente advogado Dr. Dilermando Rocha, falecido há pouco tempo, um dos mais ilustres membros do clã dos Rocha, foi um dos assíduos colaboradores do “Raul Soares”.
Na década de 40, circulou regularmente “A Tribuna”, sob a responsabilidade do Sr. José Gonçalves, secretário da Prefeitura Municipal de Raul Soares. O jornal continha um noticiário variado. O futebol em Raul Soares viveu uma fase das mais brilhantes com o Esporte Clube Raul Soares, com memoráveis partidas no Estádio da Gameleira (Belchior). A “Tribuna” registrava semanalmente as façanhas esportivas dos atletas raul-soarenses.
Os capítulos de uma novela - influência do rádio -, escrita por dois raul-soarenses, foram publicados.
Em 1950, foi a vez do jornal “O Imparcial”, de circulação semanal, tendo como Diretor e Redator o advogado e educador Dr. Hugo Leão e Diretor Comercial o Sr. Alcides Toledo da Silva. O Prof. Edward Leão, o poeta Gonçalves da Costa, deleitaram os leitores com belas páginas. Também o autor desta coluna colaborou com o jornal vários anos, divulgando e comentando notícias econômicas e financeiras sob o título “Retalhos . . “ e outras publicações.
No fim da década de 50, circulou em Raul Soares “O Chaveco”. Na edição n.º 26, de 27 de janeiro de 1957, “O Imparcial” saudou o nascimento do irmão caçula com as seguintes palavras: “Está nas ruas o Chaveco causando algumas dores de cabeça e desopilando o nosso fígado. Menino nanico, malcriado e útil. O jornalzinho traz a marca da juventude de seus responsáveis. É alegre, inquieto e loquaz. Estava nos fazendo falta o “Chaveco”. Que sua vida seja longa, são os votos d’O Imparcial”.
“A Folha da Mata”, órgão independente e de publicação quinzenal, circulou nos anos 69/70. De vida curta, como o “O Município”, fundado e dirigido pelo nosso saudoso amigo Bebé Ramos, ex-escrivão do Registro Civil e secretário da Prefeitura Municipal de Raul Soares, contando com a colaboração de Moreno Leão que, com a verve que lhe era peculiar, criou no “Município” a coluna “Distrito”. O “Avante”, de Humberto dos Santos Leal e Olímpio César, esteve presente semanalmente nos lares raul-soarenses, nos anos 57/58, comprometido com a doutrina de Plínio Salgado, um renomado intelectual e ideólogo brasileiro defensor da interessante tese de implantação do imposto único na economia brasileira. Em março de 1967 surgiu “A Verdade”, fundado e dirigido pelo Dr. Gerardo Grossi, “para dizer a verdade, toda a verdade e somente a verdade de quanto souber”. Comprometendo-se a ser “sentinela avançada na defesa de garantias e liberdades.” “Segunda Via”, foi um bom projeto de jornal do competente Swami Barbosa, também de existência efêmera.
Sob a responsabilidade de estudantes circularam também alguns jornais. Em 1940, “A Voz do Estudante”, com a colaboração de estudantes do Ginásio São Sebastião e sob a direção de Dilermando Rocha Galvão, na atualidade um senhor escritor, autor de Primeiro Amor & Os Outros, Água Mansa, Irmão Preto, este, com o prestígio de prefácio do Senador Artur da Távola. “O Furacão”, e o “Martelo”, editados por estudantes do Regina Pacis; e “News”, da ASSECRAS, idealizado por Wiron Francisco e o autor desta coluna e editado pelo jornalista Juscelino Saavedra.
Nos anos 90, o Poder Público informou o que se passava na administração municipal através do “Informativo Novos Tempos”, “Informativo Visão de Futuro” e “Jornal da Câmara”.
Há mais de quatro lustros o “Jornal de Raul Soares” está presente nos lares raul-soarenses. Também os irmãos caçulas “Expressão Popular” e “Informativo Municipal”, em cores.
Merecem destaque o “DiaaDia do Estudante” e o “Beneditando”, jornais que há alguns anos são publicados com trabalhos dos alunos da Escola Municipal “Coronel João Domingos “e da Escola Estadual “Benedito Valadares”. Um forte estímulo, e elogiável esforço, direcionado à atividade intelectual.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Educação

Os primeiros anos da existência de Raul Soares, originariamente o distrito de São Sebastião de Entre Rios e, posteriormente, Matipóo ou Vila do Matipó, foram de muitas dificuldades e falta de apoio dos governos do Estado e da União. O mineiro - de Viçosa - Artur Bernardes, para manutenção da governabilidade e sua autoridade se viu forçado a decretar o Estado de Sítio para manter a ordem. Movimentos como a épica jornada do Forte de Copacabana e a Cruzada Prestes marcaram a década de 20 e o crash (quebra) da Bolsa de Valores de Nova Iorque refletiu-se severamente na economia brasileira provocando a acentuada queda no preço do café, principal item de exportação do país. Para culminar o resultado das eleições presidenciais não foi respeitado assumindo o poder o gaúcho Getúlio Vargas, líder da Revolução de 30.
Instalado o município, em 20 de janeiro de 1924, professores foram nomeados. Pelo Decreto n.º 18, de 5 de março de 1924, assinado pelo Cel. Carlos Gomes Brandão, presidente da Câmara Municipal, foi nomeada D. Delmira Pinto de Jesus, para exercer o cargo de “professora da escola primária mixta do povoado de Taboleiro, districto de Vermelho Novo.” Em 6 de maio de 1924, pelo Decreto n.º 23, o cidadão José Felippe Pereira foi nomeado professor primário de escola municipal de Sacramentinho de Vermelho Novo. Em 26 de maio de 1924, pelo Decreto n.º 25, o nomeado foi o cidadão Emygdio Alves Correia, para “Santana do Taboleiro do districto de Vermelho Novo.” Em 8 de abril de 1927, na Secretaria da Câmara Municipal, na presença do Cel. Raymundo Raphael Coelho, presidente da Câmara Municipal, escrito pelo Oficial de Secretaria Agostinho Braga, a Srta. Maura Honorio assinou Termo de Compromisso de bem e fielmente desempenhar as funções de professora municipal para a qual fora nomeada.
Em 26 de novembro de 1931 foi fundado o Instituto Orion, com sede na rua Francisco Costa Abrantes, popularmente conhecida como rua do Morro. Incentivava a prática de esportes encantando as platéias com a disciplina, organização e técnica do jovem “time dos estudantes” do Orion.
Em 1936, o prefeito municipal - o jovem médico Durval Octávio Grossi - pleiteou e conseguiu do Governo do Estado autorização para a construção de prédio para um grupo escolar na Rua Benjamin do Carmo. Colaborou o município com a doação de uma área de terreno com mais de três mil metros quadrados, conforme escritura lavrada no Cartório do Primeiro Ofício de Notas da Comarca de Raul Soares, em 23 de abril de 1936, registrado no Cartório de Imóveis no livro 3 – A, folha 132v/133, com o número/matrícula 1373. Construído o prédio pelo Governo do Estado, foi festiva e solene a sua inauguração, com a presença de autoridades estaduais. Foi dado ao grupo o nome de Benedito Valadares.
O Benedito fechou o ano de 2002 com mais de setecentos alunos.
Em Raul Soares tem sempre havido muito empenho e esforços para que se tenha uma organização educacional das melhores em Minas Gerais.
Com o advento do Benedito houve incentivo à criação de um curso de segundo grau. Surgiu, então o Ginásio São Sebastião, fundado pelo Prof. Alberto Álvaro Pacheco, de Viçosa. O São Sebastião funcionou no prédio hoje ocupado pela usina da cooperativa de leite, na Rua Bom Jesus. No início da década de 40 assumiu a direção do ginásio o jovem advogado Dr. Hugo de Aquino Leão, um dos filhos do mestre Edward Leão. O competente e entusiasta Hugo fez crescer o estabelecimento transformando-o no Instituto São Sebastião, com os cursos ginasial, normal e contabilidade.
Encerrado o produtivo ciclo do São Sebastião, o Dr. Gerardo Grossi, prestigioso chefe político da região, liderou a constituição da Fundação Educacional Juarez de Souza Carmo o que possibilitou a instalação do Colégio Regina Pacis, já criado e em funcionamento precariamente em escola estadual. O Regina Pacis, então, cresceu, com os cursos ginasial, normal e contabilidade. O prédio construído pela Fundação foi doado ao Governo do Estado de Minas ante o reconhecimento de que o Estado teria melhores condições de desenvolver o ensino em Raul Soares. Simultaneamente, ao Regina Pacis, contou Raul Soares com o Colégio Edward Leão, uma iniciativa do contabilista Éder Ribeiro.
Inaugurando-se uma nova fase no ensino em Minas Gerais, nos últimos anos do século XX, duas escolas estaduais foram municipalizadas: a Afonso Vaz e a Cel. João Domingos. Afonso Vaz foi um fazendeiro e político de muito prestígio em Raul Soares e João Domingos, o legendário Cel. João Domingos, foi uma das grandes lideranças da política municipal. Foi vereador e prefeito municipal nos anos 20 e 30. Muito contestada de início, chegou-se à conclusão que a municipalização foi benéfica à comunidade, somando as duas escolas algo em torno de setecentos alunos no final de 2002.
O município dispõe de mais seis escolas estaduais, todas elas com relevantes serviços prestados ao ensino. EE. Dom Helvécio, o nome é uma homenagem a um dos mais cultos e sábios bispos de Mariana, em Bicuiba; EE. Dr. Luiz Martins Soares, justa homenagem ao Dr. Zito Soares, um político ilustre de Ponte Nova, em São Vicente da Estrela; Pe. Júlio Maria, homenageando ao virtuoso padre que por tantos anos esteve presente na vida dos cidadãos de Manhumirim e de toda a região, em Santana do Tabuleiro; João Felisberto Costa, lembrando o nome de um cidadão dos mais importantes de Raul Soares, em São Sebastião do Óculo e Albano Pires, homenagem a um dos ilustres membros do clã dos Pires, em Vermelho Velho.
As demais escolas são municipais sendo de justiça que se destaque a tradicional Escola Manoel Máximo Barbosa, localizada no Bairro Dr. Durval Otávio Grossi ( Vila do Asilo), no inicio de 2000 com 159 alunos, a E. M. Sebastião Inácio Teixeira, no Córrego do Gavião - Santana Tabuleiro, com 22 alunos; E.M. Agostinho Batista Pires, no Córrego da Conquista – Santana do Tabuleiro, com 44 alunos; E.M. José Xavier de Barros Filho, no Córrego dos Valerianos – Santa do Tabuleiro, com 25 alunos; E.M. Sagrado Coração de Jesus, no Córrego Grande – Santana do Tabuleiro, com 58 alunos; E.M. José Jacó, no Córrego do Jacó, Santana do Tabuleiro, com 44 alunos; E. M. José Faustino da Rocha, no Córrego das Três Barras - Bicuiba, com 20 alunos; E.M. Francisco Vicente de Araújo, no Córrego São Lourenço de Cima - Bicuiba, com 31 alunos; E.M. José Alves de Souza, no Córrego dos Miranda – Vermelho Velho, com 35 alunos; E. M. Pe. Manoel Moreira, no Córrego dos Botelhos – Vermelho Velho, com 38 alunos; E. M. Valentim Martins Pena, na Fazenda José Pena – São Vicente da Estrela, com 13 alunos; E. M. José Raimundo de Souza, na Fazenda Itororó – São Vicente da Estrela, com 19 alunos; E. M. José Adolfo Moreira Assad, na Vila Barbosa, com 39 alunos; E.M. Cardeal Mota, em Cornélio Alves, com 35 alunos.
Os fundadores do Regina Pacis imaginavam também instalar no município um colégio industrial sendo para essa finalidade construído na Av. Elza Bacelar um prédio chamado de Anexo II. A idéia não vingou. Mas, ao prédio foi dado uma finalidade nobre. Em 1990, foi adaptado e acolheu a ASSECRAS. Raul Soares se inseriu na era da informática, com um curso de Processamento de Dados. A ASSECRAS cresceu e logo passou a ali também funcionar um curso de ensino fundamental. Mérito dos prefeitos Wiron e José Constantino que contando com a inestimável ajuda do deputado Agostinho Patrus, conseguiram a doação do imóvel do Governo do Estado para o Município de Raul Soares, com a aprovação da Assembléia Legislativa, conforme Lei Estadual n.º 10.755, de 28 de maio de 1992. Raul Soares incorporou os imóveis ao patrimônio municipal conforme a Lei n.º 1.536, de 7 de junho de 1994. Amparado no art. 15 - I – b, da Lei Orgânica do Município, a Lei n.º 1.604, de 19 de junho de 1996, assegurou à ASSECRAS direito real de uso do imóvel.
Em 2001 iniciou-se o primeiro curso superior de Raul Soares (Curso Superior de Magistério). O empenho do prefeito Homero nessa conquista tem que ser reconhecido. A UNIPAC, certamente, ampliará as suas atividades em Raul Soares implantando novos cursos de 3º grau no município indo ao encontro dos anseios da comunidade.
Competência, organização, qualidade de ensino e tradição, sobram na entidade mantenedora do estabelecimento fundada e dirigida pelos Andradas, presentes na História do Brasil desde o Império.
A partir do ano de 2004 o município de Raul Soares passou a contar com o Colégio DARWIN que deverá marcar uma fase das mais profícuas no desenvolvimento do ensino na região tendo-se em vista o gabarito administrativo de seus dirigentes e a experiência de seu corpo docente sobejamente comprovados no estado de Minas Gerais.
Na área especializada, o amor e a dedicação ao próximo e ao ensino, motivam os dirigentes e professores do Pré Primário Pequeno Príncipe; na APROMAI - Associação de Proteção à Maternidade e a Infância e na APAE - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais.
Cursos livres de línguas completam o quadro de ensino, com real proveito para aqueles que os freqüentam, destacando-se o eficiente e meritório trabalho do GO-AHEAD, há mais de duas décadas, e do CCA, a partir do ano de 2002.